Experiência dos graduados e mais Peter Gray.

Quando estive na Global Home Education Conference (Conferencia Global sobre Educação Domiciliar) uma das palestras que mais gostei de assistir foi a dos graduados. Pessoas que passaram pela educação em casa e que agora são adultos. A apresentação foi composta de 5 pessoas. Duas delas nunca foram a escola e as outras começaram a fazer a educação em casa entre 11 e 12 anos, entre elas uma brasileira.

Aliás, o depoimento da Lorena (que foi a primeira pessoa no Brasil a conseguir o diploma do segundo grau depois de ter sido educada em casa) sobre como foi esse processo está disponível aqui.

“O homeschooling me ajudou nisso, pois eu sempre estudei porque queria aprender, para melhorar minha vida, e não para provar que eu sei.” – Lorena Dias.

Voltando para a palestra dos graduados… Todos eles citaram, como um dos grandes benefícios de uma vida no homeschooling, a capacidade de aprender como aprender. Aprender porque gostavam e porque queriam. Eles ressaltaram que esse processo ajudou-os a desenvolver um senso de propriedade, ou seja, de serem eles própeios os donos e responsáveis pelo próprio conhecimento.

Video da Smart Mãe da palestra dos Homeschoolers já crescidos.

 

Lembrei de um dos podcasts da Amy com Peter Gray, este sobre aprendizado, onde ele diz que a melhor forma de encorajar os pais que pensam em criar os filhos dessa forma é observar o que aconteceu com quem já passou por isso.

Mais trechos das conversas deles abaixo:

Amy: Primeiro, eu perguntei a Peter, que tipo de encorajamento ele daria a novos unschoolers ou pessoas que são novas na auto-aprendizagem?

Peter Gray: Eu acredito que a melhor coisa é olhar os graduados: as pessoas que já fizeram isso. Meu primeiro estudo foi com os graduados da escola Sudbury Valley School, que é uma escola para autodidatas.
Fundada há muito, muito tempo, ela tem agora 40 ou 60 anos de existência, ou seja, por volta de meio século.
Quando eu fiz este estudo a escola era menor, mas já existia a tempo suficiente que haviam 90 graduados. Meu colega que fez o estudo comigo, David Chanoff, e eu, encontramos a maioria dos graduados, observamos quais trabalhos eles faziam, se eles haviam ido a faculdade ou não, e conversamos sobre se havia algum arrependimento a respeito deles terem tomado o caminho da auto-aprendizagem. E surpreendentemente, nenhum deles teve nenhum arrependimento sobre irem a escola que foram.
Os que quiseram ir a faculdade não tiveram nenhuma dificuldade em entrar nelas. Alguns deles inclusive foram a faculdades muito renomadas. Nenhum deles teve nenhuma dificuldade em ir bem nos seus anos de graduação depois que estavam lá dentro. Isto parece significativo, pois do ponto de vista que a maioria das pessoas tem, elas pensam que se você perde alguns meses de escola, que supostamente te leva progressivamente, passo a passo, ao nível de estar prontos a entrar na faculdade e depois fazer faculdade… as pessoas pensam que se você perder alguns meses, você estará irremediavelmente para trás.
Bom, aqui estão pessoas que perderam a coisa toda!
Eles não fizeram nada disso, e ainda assim foram a faculdade e fizeram um bom trabalho.
Isso desafia o que a maioria das pessoas acredita, e que o sistema escolar tenta nos convencer sobre. Eu não acho que o sistema escolar é cínico, eu acho que eles realmente acreditam nisso. Mas a verdade é que você não precisa dele. Não há nenhum período crítico… Existe um pouco de período crítico para aprender línguas. Todas as crianças aprendem idiomas fácil e naturalmente sem sotaques, quando eles aprendem isso bem cedo. Mas, por outro lado, não há um período crítico para aprender qualquer outra coisa. Você pode aprender matemática em qualquer idade, você pode aprender a ler com qualquer idade, você pode aprender qualquer coisa em qualquer idade.

Então, a ideia de que você deve aprender coisas em alguma ordem, que você deve aprendê-las de acordo com um cronograma, que existe alguma base científica para o programa de lições ensinados na escola é simplesmente errado. E isso já foi refutado muitas e muitas vezes, pelos alunos autodidatas. Desde quando existem… Eu quero dizer, sempre existiram autodidatas, e eles mostraram isso muitas vezes. Você pode aprender qualquer dessas coisas em qualquer momento.
A coisa mais importante que promove o aprendizado é quando você quer aprender.
Quando uma criança quer aprender alguma coisa, ela aprende rápido e muitas vezes com facilidade. Isso já foi demonstrado. Crianças aprendem a ler rápido quando elas querem ler. Algumas delas aprendem a ler quando tem 4 anos, algumas quando tem 6 ou 7. E algumas não aprendem a ler até que tenham 11 ou 12, este foi o mais tardio que eu já vi. Mas quando eles querem aprender, e quando eles estão prontos para aprender, eles aprendem. E isto não é difícil. Matemática é outra coisa que as pessoas se preocupam. Mas quando as crianças são autodidatas, algumas se fascinam com matemática e aprendem sozinhos. Matemática é um jogo para eles, estes são o tipo de pessoas que vão e se tornam matemáticos ou cientistas que usam matemática.

Mas, a maioria das crianças que são unschoolers, ou que foram a uma escola democrática como a Sudbury Valley School, onde as crianças são responsáveis pela própria educação, não estão interessadas em matemática. Mas eles sabem que precisam aprender matemática se eles quiserem entrar em uma faculdade competitiva, e eles precisam fazer os testes de admissão. Eles simplesmente se preparam para os testes em questões de semanas. Uma criança que nunca estudou matemática decide: “bom, eu quero aplicar para esta faculdade competitiva… Para entrar eu preciso de uma nota alta em matemática no teste.” E eles intencionalmente se preparam para isso. Algumas vezes eles pedem ajuda a alguém, mas rapidamente eles chegam ao ponto onde eles podem estudar com os livros de preparação por eles mesmos e aprender.
Isto não é difícil, realmente não é difícil quando a criança quer fazê-lo.

Eu acho que isto é o mais encorajador. Eu diria que pessoas que estão prevendo desescolarizar ou prevendo enviar seus filhos a uma escola como a Sudbury, onde as crianças são responsáveis pelo próprio aprendizado, a melhor forma de se assegurar que não estão fazendo algo perigoso ou pondo em risco seus filhos, é observar a evidência baseada nos graduados, nas pessoas que já fizeram isso.

 

No podcast Amy ainda pergunta sobre o que faz um bom ambiente para uma criança educada em casa e como os pais podem ajudar neste processo. Guardo esta tradução para mais tarde.

Termino este post (copiando a Amy) com uma frase de John Holt:

“All I am saying in this book can be summed up in two words: Trust Children.
Nothing could be more simple, or more difficult.
Difficult because to trust children we must trust ourselves, and most of us were taught as children that we could not be trusted.”

“Tudo que estou dizendo neste livro pode ser resumido em 3 palavras: confie nas crianças. Nada poderia ser mais simples, ou mais difícil. Difícil porque para confiar nas crianças nós precisamos confiar em nós mesmos. E a maioria de nós foi ensinados quando crianças que não éramos confiáveis.”

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