Perfeccionista em recuperação – sobre bagunças e diversão.

Ontem a noite, já cansada do batidão do dia, tirei a segunda leva de roupas limpas da máquina de lavar e, com um misto de inveja e ressentimento do marido estar tocando contente sua guitarra, coloquei a cesta na mesa com um pouco mais de força do que precisava.
Imediatamente, me arrependi.
Há meses estou tentando não me importar tanto com o trabalho de casa, ou pelo menos fazê-lo com menos raiva no coração. Minha vida aqui é muito curta, eu digo internamente. Eu não vou pro meu túmulo desejando ter lavado mais roupas, ou varrido mais vezes o chão.
Igual a qualquer outra pessoa, eu também gosto de uma casa limpa, cheirosa e bem arrumada. O problema é: a que custo?
QUER TROCAR UM VIDEO GAME POR UMA BANANA? SIIIIM!
Xd6Tge
Muitas vezes, eu me vejo fazendo essa troca burra. Perdendo a oportunidade de fazer uma boa farra pulando na cama com minha família porque fiquei lavando a louça…
“As pessoas que se importam, não importam. E as que não se importam, importam.”
Provavelmente seja porque eu tenho medo do que as pessoas vão pensar de mim se eu não conseguir manter uma casa limpa. Mas quem são essas pessoas que vão me julgar? Muitas delas eu já deixei com um oceano de distância nos separando, as outras vivem na minha cabeça mesmo.
Eu não quero matar a parte de mim que é perfeccionista e gosta de ordem e limpeza, eu só quero que ela seja menos escandalosa e que venha me visitar nos momentos certos. Eu quero que ela me deixe em paz para que eu não fique ressentida com quem esta se divertindo. E eu quero que ela deixe eu ir brincar, mesmo com uma pia de louça suja pra lavar.
E principalmente, eu quero que ela pare de incarnar em mim em momentos que eu estou falando com minhas filhas. Que eu seja mais gentil e possa ser exemplo de organizar as coisas com amor. Pendurar as roupas porque eu gosto de ter roupas limpas e secas. Lavar a louça porque eu quero cozinhar aquele prato gostoso que vamos comer juntos daqui a pouco.
Deixar que elas façam suas bagunças e tenham suas próprias necessidades de ordem, nos momentos em que isso acontecer naturalmente, e não porque eu mandei. Confiar em seus instintos. Não inferir que elas são pessoas piores, mal-educadas e/ou desorganizadas, só porque elas não alcançaram o meu padrão de ordem e limpeza.
Sigo em frente, tomando mais momentos de pausa antes de começar uma atividade, ou antes de abrir minha boca pra reclamar de alguma bagunça. Me questionando: com que disposição eu ESCOLHO fazer essa atividade? Na espera de que um dia isso vire natural para mim e eu consiga fazer escolhas leves sem muito esforço.
Please follow and like us:

Comments

  1. Nossa, li isso na hora certa, prestes a ter que começar uma faxina na casa hahaha estou feliz que voltaram a postar <3

Leave a Comment