Por que desescolarizar?

Este post é uma tradução do segundo episódio do podcast Unschooling Life.

 

Unschooling Life Podcast #2 – “Por que desescolarizar?”

 

Amy: Se crianças desescolarizadas não vão a escola, então, como elas aprendem?

 

Eu fui em busca de pais que desescolarizam seus filhos para fazer essa pergunta, mas descobri ser muito mais difícil do que eu pensava… Pais que desescolarizam estão muito ocupados se divertindo e aprendendo com seus filhos para responder minhas perguntas.

 

Eventualmente, eu encontrei um grupo de pessoas e perguntei a elas: O que é a desescolarização e por que famílias escolhem esse caminho? Neste podcast você ouvirá o que eles me contaram.

 

Eu sou Amy Childs e bem-vindos ao “Unschooling Life”.

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Amy: Primeiro nós ouvimos Jan Hunt, diretora do “Natural Child Project”.

 

Jan Hunt:  Quando alguém me pergunta o que é descolarização, a primeira coisa que eu digo é: não é nada diferente do que qualquer pai amoroso faz quando seu filho é pequeno.

 

Quando uma criança de 2, ou 3 anos, se interessa por alguma coisa, vamos dizer trens, o que os pais fazem? Eles acham um livro sobre trens, talvez eles a levem para um passeio de trem, talvez eles comprem um trenzinho de brinquedo.

 

Eles sabem que aquela criança, por qualquer motivo, se interessou por trens.

E os pais sabem, instintivamente, que devem apoiar e promover isso.

É um contínuo, e é muito natural, e instintivo, e muito sábio e normal.

 

E de repente a mesma criança e o mesmo pai… a mesma criança está, de repente, em “idade escolar”. E isso implica que alguma coisa está diferente agora.

Esta criança é uma pessoa diferente. De repente, esta criança aprende de forma diferente.

Esta é a premissa, e ela nunca é discutida, mas é a premissa.

Esta criança que estava aprendendo com muito prazer, e que não tinha nenhum problema em se inspirar ou motivar para aprender – na verdade, você não consegue impedir uma criança de 2, 3 anos de aprender. É só isso que eles fazem, o dia inteiro. Eles exploram e aprendem exatamente o que eles querem estudar e aprender. Qualquer coisa que estiver ao redor deles. Isso é fascinante para eles.

 

Subitamente, eles estão em “idade escolar” e a premissa é:

Ok, agora eles chegaram a uma idade em que o cérebro deles muda drásticamente, e eles não estão mais aprendendo dessa forma prazerosa.

E agora, de súbito, nós temos que dar uma volta de 180 graus, e ao invés da criança descobrir o que ela quer aprender, outro alguém: uma autoriadade, um especialista, um professor, com um diploma; outro alguém sabe melhor sobre o que essa criança deveria aprender naquele momento.

 

Repentinamente, os 3 R’s* aparecem, como se eles estivessem separados da vida, quando na verdade eles não estão. E a criança é forçada a aprender o que outras pessoas pensam que ela deveria estar aprendendo.

 

*Esse 3 R’s que ela está se referindo é como os falantes de lingua inglesa se referem ‘as habilidades básicas ensinadas na escola: escrita, leitura e aritmética.

 

E a partir dai, é ladeira abaixo.

Porque depois de um tempo a criança perde o interesse… porque ela não está aprendendo…

É um problema com duas partes: ela não está aprendendo o que ela quer aprender, e ela não está aprendendo o que ela está sendo forçada a aprender.

 

É muito lamentável, porque a criança perde o interesse em aprender em geral.

E em cima disso tudo, dai, quando a criança está completamente entediada – e qual adulto não estaria? Sabe? Entediado de ter que escutar alguém sobre um assunto que você não tem o menor interesse, e ainda não permitirem que você se movimente! Qual adulto consegue lidar com isso?

 

E a criança, quando ela não consegue lidar com isso, nós dizemos: “Oh, ela deve ter algum problema de aprendizado, algum transtorno de aprendizado” e nós damos remédio a ela!

Quer dizer, é realmente… o quadro inteiro está completamente errado.

 

Um pai que desescolariza não é um professor, um pai é como um bibliotecário de referências.

Sabe, um bibliotecário de referências, em uma biblioteca, vai responder suas perguntas, achar a informação, achar livros que a pessoa possa achar úteis.

 

Eles primeiro ouvem o que a pessoa está procurando.

O que vc está buscando? Como eu posso te ajudar? Como eu posso apoiar isso?

Como eu posso achar o material que vai ajuda-lo a aprender da forma mais divertida?

E isso é outra diferença enorme entre a escola e a desescolarização: a desescolarização é divertida.

Meu filho tem 33 anos agora, e nós estamos nos divertindo a 33 anos.

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Amy: E agora: Kelly, mãe de dois filhos desescolarizados, agora crescidos.

 

Kelly: Joyce Fetterol uma vez disse que: “Aprender é um efeito colateral de viver uma vida rica e engajada.”

 

Meu trabalho como mãe que desescolariza é expor eles ao máximo de coisas possíveis.

Eles podem sempre dizer: não, eu não gosto disso; ou, eu não gosto disso neste momento; ou, eu quero tentar uma outra coisa.

Mas meu trabalho é achar o aprendizado que está acontecendo em suas vidas.

 

Então, este é o efeito colateral de viver uma vida rica e engajada. O aprendizado já está lá, meu trabalho é apenas encontrá-lo.

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Amy: O próximo é Jerry Mintz, fundador e diretor do “Alternative Education Resource Organization”.

 

Jerry Mintz: Existem basicamente dois paradigmas envolvidos em como as pessoas pensam a respeito do aprendizado.

 

Um é o tradicional, e parece que é o que todas as escolas se baseiam, que é: crianças são naturalmente preguiçosas, e precisam ser forçadas a aprender.

 

O outro paradigma é o que a marioria das nossas escolas usam, e ele é: crianças aprendem naturalmente.

Então, se você aceita que este último é verdade (que a investigação sobre cérebros atual certamente confirma) então, você não pode usar a abordagem típica da escola.

 

E isso significa que não faz sentido você forçar crianças a aprenderem coisas só porque você acredita que elas são importantes. Ou porque outra pessoa acredita que é importante que eles aprendam. O que você vai estar fazendo é tender a extinguir sua capacidade natural para aprender.

 

E quanto mais você faz isso, mas o outro paradigma se torna auto-realizável.

 

Quer dizer, depois de 7, ou 8 anos disso, a criança realmente perde a habilidade de aprender expontaneamente e precisa ser forçada e motivada externamente cada vez mais.

 

Então, se você entende essas coisas, a escolha é realmente óbvia.

 

E se você não entende… E claro, muitas pessoas pensam que eles entendem, mas não.

Por causa do treinamento que eles mesmo tiveram. Está enraizado neles.

Você sente que o aprendizado deve ser forçado ou alguém vai perder alguma coisa.

E isso é algo que você deve aprender a lutar em si mesmo.

Dessa forma, você será capaz de se sentir confortável com sua escolha de ter um filho que aprende naturalmente.

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Amy: Esta é Idzie, ela tem 22 anos e um blog chamado: “Eu sou desescolarizada, e sim, eu sei escrever.”

 

Idzie: (A desescolarização) é um tipo de educação auto-direcionada, em casa. Onde os estudantes, eles mesmos, as crianças ou adolescentes, são as pessoas que estão tomando as decisões importantes sobre sua própria educação e sobre o que eles querem aprender. Com os pais atuando como facilitadores e mentores, e ajudando-os a encontrar recursos, ao invés de serem professores.

 

Amy: O que você gostava em ser desescolarizada quando criança?

 

Idzie: Oh, tinham muitas coisas.

Era muito bom poder focar o quanto, muito ou pouco, eu queria nas coisas.

Porque muitas vezes, e eu tenho certeza que você se identifica com isso, em que uma pesquisa no google é suficiente.

 

“Oh, agora eu sei o que eu queria saber sobre este assunto, e pronto!”

 

Ter a liberdade de fazer isso, fazer a pesquisa rápida pra descobrir a resposta em um dia em que você não quer se aprofundar muito.

 

Ter a possibilidade de focar em alguma coisa em que você está realmente interessada por semanas e meses seguidos.

 

Eu gostava muito do fato de que não havia um currículo onde: “aqui estão as coisas que você deve aprender e aqui as coisas que não são tão importantes”.

Eu realmente podia focar o quanto eu quisesse nas coisas.

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Amy: Carsie Blanton é uma cantora, escritora, que já se apresentou com The Weepies, The Wood Brothers, Paul Simon, você pode até encontrá-la na Wikipedia.

 

Carsie Blanton: Eu sou muito feliz por ter sido desescolarizada.

Me deu um senso de como fazer planos, estabelecer objetivos, e alcançá-los, sem nenhum influência exterior. Ou sem muita influência exterior.

 

E como música em turnê, eu conto muito com essa habilidade.

 

Agora mesmo, eu estou em uma turnê de 6 semanas pelo país e eu até tive alguma ajuda para organizar a turnê, mas muito foi: eu juntei a banda, eu reservei os shows, eu dirijo a van, e eu acho os lugares para ficarmos.

 

É muita confiaça na minha motivação interna e nos meus recursos pessoais.

E eu sinto que eu tenho essa habilidade porque eu não fui pra escola.

Então, eu tive que descobrir como fazer as coisas sem muita ajuda de uma gestão superior.

 

Eu também acho que me sinto muito confortável passando bastante tempo sozinha.

E isso é parcialmente porque eu não fui pra escola e porque eu cresci em uma área rural do mundo.

 

Eu penso que conto com essa habilidade também como escritora, porque é necessário muito tempo sentada ociosamente antes de eu ter uma boa idéia.

Se eu me sentisse menos confortável ficando sozinha, eu provavelmente não escreveria canções.

 

Eu comecei bem jovem, eu lancei meu primeiro disco quando tinha 19 anos. Eu acho que o motivo pelo qual consegui isso foi porque naquele momento eu já tinha uns 5 a 8 anos de prática, ensaios e apresentações em tempo integral. Porque eu comecei bem jovem.

 

Eu comecei a escrever e me apresentar quando eu tinha 13. Eu fiz todas essas coisas, muitas vezes porque eu não tinha mais outra coisa que eu era obrigada a fazer. E isso era o que eu estava mais interessada. Eu penso que neste sentido eu fiquei um pouco a frente do que a média.

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Amy: Michelle Loucas é uma das co-fundadoras da “Philadelphia Free School”.

 

Michelle Loucas: Na “Philly Free School” acreditamos:

Que seres humanos nascem curiosos e que em um ambiente propício, quase qualquer ser humano desabrochará com essa curiosidade.

 

E que o aprendizado, que é resultado de um auto-direcionamento, é mais profundo, mais poderoso e mais recompensador do que o que vemos nas escolas convencionais.

 

Nós pensamos que é ilógico continuar a tentar mandar sobre o que os jovens devem aprender, em uma era onde o acesso a informação, a economia global, a força de trabalho e tudo sobre nossas vidas, está mudando tão radicalmente.

 

Não faz nenhum sentido que nós ainda operemos com o mesmo sistema escolar que foi criado em outra era, quando nós nos tornamos uma nação industrializada, e precisávamos de trabalhadores para a indústria pesada.

 

Eu não acredito que nenhum conselho escolar está em uma posição melhor para determinar o currículo ou o curso de estudos de um jovem, melhor do que ele mesmo.

 

E eu acho que depois de 45 anos de “Sudbury Education”*, começando com a “Sudbury Valley School” em 1968, e extendendo para mais de 30 escolas ao redor do mundo agora, nós temos muita informação, e muitos graduados que podemos observar.

E eles estão fazendo coisas incríveis. Eles não só são profissionais competentes e efetivos, mas também felizes. Eles são engajados em suas comunidades e cidadões bem adaptados.

Eu acho que todas essas medidas são muito importantes, e elas são frequentemente omitidas das medidas convencionais de níveis de educação.

 

*A Sudbury é uma das mais antigas escolas livres do mundo. Nesse podcast ela é citada várias vezes. Nas próxima traduções eles falarão mais a respeito dela.

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Amy: Aqui está Sandra Dodd com sua simples definição de desescolarização.

 

Sandra Dodd: (Desescolarizar é) criar um ambiente onde o aprendizado natural possa desabrochar.

 

Amy: O que é “aprendizado natural”?

 

Sandra Dodd: Aprender da experiência, aprender de fazer perguntas, seguir interesses, ser.

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Amy: Obrigada a todo mundo que dividiu comigo suas idéias do que é a desescolarização, como as pessoas desescolarizam e por que.

 

Para terminar eu pedi a minha filha Nikiah para dizer a sua definição de desescolarização.

 

Nikiah Childs: Desescolarizar é eliminar a distração da escola de estar vivo, da arte de estar vivo, do ato de estar vivo, da alegria de estar vivo.

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O podcast Unschooling Life foi feito por Amy Childs e unschoolingsupport.com

 

 

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