O dia que eu conversei sobre morte com a Alice.

Ela tinha assistido um episódio de Charlie and Lola em que o hamster da Lola morria. Dona de um pequeno hamster, o Vavá, imediatamente ela perguntou pra mim se um dia ele iria morrer também.

Eu respondi que sim.

Então perguntou se um dia eu morreria também, eu respondi que sim, mas que iria demorar muito tempo, esquecendo claro, que muito tempo não é um conceito alcançavel pra alguém que está no mundo há apenas 3 anos.

Ela perguntou se um dia ela morreria, e eu disse que sim também, que tudo que está vivo um dia morre, mas que vai demorar muito. Disse que ela iria crescer e ficar maior que eu ainda, que só depois muito depois do cabelo dela começar a ficar branco.

Ela ainda ficou bem tristinha por causa disso, e passou (ainda passa) por fases de perguntar muito sobre isso.

Agora que ela está mais velha, a gente conversa sobre as diferenças entre o que as pessoas acreditam que acontece depois que a gente morre.

Eu falo que eu não sei, que eu já pensei de um jeito e mudei de idéia e que ainda penso sobre isso de vez em quando, mas que eu prefiro gastar meu tempo pensando em outras, como sobre os sentimentos que a gente sente quando está vivo.

Não falei que ela iria pra nenhum lugar maravilhoso (pra falar a verdade, tenho o maior medo de criança que acredita nisso), e apesar de ter ficado triste de ver ela triste, deixei ela sentir tristeza também, porque penso que é um dos sentimentos que a gente tem sorte de sentir simplesmente por fazer parte de estar vivo.

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