Os finais de semana

Continuando a série de posts sobre nossa experiencia de WWOOF, esse é dedicado aos finais de semana.

No nosso primeiro final de semana lá, porque estava muito calor, nós resolvemos pegar uma prainha.

IMG_0643

Prainha inglesa, mar gelado, só dava pra entrar com aquelas roupas de mergulho, e eu nem assim quis me arriscar, mas beleza, bora ver o mar. Pra chegar na praia a gente pegou um ônibus até Durham, de lá um trem até Newcastle e de Newcastle a gente pegou o metro que deixava a gente numa praia chama Tiny Beach (tradução livre: Praia Minúscula). A praia nem era tão pequena assim, mas era assim… meio esquisita. Os ingleses não sabem tomar sol, eles se empolgam em ver o astro rei e esquecem de passar filtro-solar. Dói só de olhar pra’quelas peles todas avermelhadas. Assim que eu cheguei na praia, um sujeito que estava correndo e achou que o meu corpo ocupava muito espaço na calçada dele, me deu um super empurrão pra eu sair do caminho. Não sobrou nada da famosa polidez britânica nesse cara.

A Alice até que curtiu o passeio, ganhou sorvete e se enterrou na areia.

alice_enterrada

A parte que eu mais gostei foi que na estação dessa praia tinha uma feirinha, era tipo um Charity Shop gigantesco onde podia comprar tudo que vc imaginar. De móveis antigos a brinquedos de pelúcia. Milhares de livro a menos de £2. E a gente que tinha acabado de se desfazer de várias coisas nos comportamos muitíssimo bem, e de lembrança só levamos as fotos e  um livrinho pra Alice.

IMG_0633

Depois que saímos da praia, voltamos a Newcastle e fomos dar uma voltinha pela cidade. Andamos pela parte universitária cheia de prédios bonitos e por uma parte meio tosca cheia de lojas. Ou talvez nem fosse tosca e eu tava meio mal-humorada por causa do calor, mas mesmo assim. Depois da primeira semana meio que isolada dentro da fazenda, vivendo aquela vida simples, comendo super naturalmente eu fiquei meio tonta de ver tanta gente, tanto cigarro, meninas com rímel demais no olho no meio de uma tarde super ensolarada.

Em Newcastle achamos um Museu de História Natural que tinha, entre várias outras coisas, uma exposição super interessante sobre o Egito. Os museus na Inglaterra costumam ter várias atrações interativas junto com as exposições. Nessa exposição, tinha um computador que transformava seu nome em hieroglifos!

IMG_0654

Voltamos pra fazenda umas 9, 10 da noite, já tava ficando bem escuro. O bom do verão lá no alto do hemisfério norte é isso, as horas de sol são bem mais longas.

No dia seguinte a essa viagem pra praia, nós resolvemos ficar ali por perto mesmo. Durham ficava há apenas 3,5km da fazenda.

Nós fomos a pé, levando a bicicleta dobrável pra carregar algumas coisas (sempre saiamos de casa com um picnic) e a Alice no caso dela cansar (a trilha tinha muitas subidas).

IMG_0949

O caminho era muito lindo. Cheio de arvores bem altas e verdinhas e campos de flores. De novo, eu não canso de falar o tanto que a gente foi sortudo de estar lá quando eles tiveram um dos Julhos mais secos dos últimos anos.

Essa trilha de bike que ficava no caminho de Durham era na verdade uma antiga estrada de ferro desativada que cortava o país de ponta a ponta.

Essa trilha de bike que ficava no caminho de Durham era na verdade uma antiga estrada de ferro desativada que cortava o país de ponta a ponta.

As pessoas também eram bem mais falantes e amigáveis do que a gente estava acostumado em Londres. Uma mulher parou a bicicleta dela só pra nos avisar que ali na frente tinha um laguinho que estava cheio de sapinhos minúsculos! Andamos mais uns 5 minutos e encontamos o tal laguinho. Devo ter matado sem querer uns 50 sapinhos até me dar conta de que eles eram minúsculos mesmo, quase do tamanho de joaninhas!

IMG_7495

Chegamos em Durham e mais um golpe de sorte, a cidade estava recebendo o International Brass Festival (Festival Internacional de Bandas de Sopro). Tinha uma bandinha tocando em cada canto da cidade.

IMG_7553

Fomos dar uma volta e conhecemos a catedral, que é famosa entre outras coisas por ter sido cenário de algumas cenas dos filmes do Harry Potter.

IMG_7702

Depois fomos a um café usar a internet e lá ficamos sentados por umas boas 2,3 horas. Depois de uma semana sem tomar café (na fazenda não tinha) eu tomei um e fiquei DOIDA! Queria pular, gritar e dançar, estilo demônio da Tasmania. Mas não fiz nada disso e fiquei respondendo e-mails de trabalho. Tá bom, eu plantei umas 5 bananeiras seguidas de tanta empolgação. Mas a verdade é que eu nem preciso da desculpa do café pra fazer isso.

Nos outros finais de semana, nós voltamos pra Durham aos sábados, pra curtir o festival e usar a internet. Fizemos também uma carteirinha da biblioteca onde a Alice alugou vários livros do Roald Dahl. Ela adorou o autor de Charlie e a Fábrica de Chocolate, e a gente descobriu que agora que  tinha mais tempo livre, que não era preenchido por escola e mais um monte de outras atividades, ela estava lendo muito mais do que em Londres.

Numa dessas outras visitas a Durham nós também fomos no Museu Oriental onde estava tendo uma atividade de origami voltada a crianças. Acho que vou sentir saudade dos museus ingleses. Também estava rolando um dos maiores festivais da cidade. É o seguinte, Durham e a região em volta era uma terra de mineiros. E eles tem um dia especial no ano quando todas as associações de mineiros se encontram pra uma grande festa. Foi tipo um carnaval de rua, daqueles do Brasil, só que com menos gente dançando.

No útlimo final de semana nós fizemos um passeio muito legal, fomos pro Beamish Museum. É um museu a céu aberto. Pra explicar melhor fica assim: imagina uma cidadezinha com uma fazendinha bem perto, uma escola, uma igreja, um parque. Imaginou? Agora imagina tudo isso em 1900. Ok? Pronto esse era o museu. Era tudo como se fosse há uns 100 anos. Inclusive o pessoal que trabalhava no museu se vestia e comportava como se eles fosse daquela época. Foi um passeio bem legal que fechou muito bem nossa visita.

Para se locomover entre a fazenda, a cidade e a escola, pegava-se o onibus, claro!

Para se locomover entre a fazenda, a cidade e a escola, pegava-se o onibus, claro!

Os designers piram na tipografia da loja.

Os designers piram na tipografia da loja.

Print Shop. Por que será que é o lugar da onde a gente tem mais foto?

Print Shop. Por que será que é o lugar da onde a gente tem mais foto?

Letrinhas pra fazer prints.

Letrinhas pra fazer prints.

IMG_7910

Menino feliz.

Menino feliz.

Supermercado das antigas.

Supermercado das antigas.

Olha ai o vendedor morrendo de calor, mas vestido a caracter de colete e tudo....

Olha ai o vendedor morrendo de calor, mas vestido a caracter de colete e tudo….

Dentista das antigas. Eles compravam dentes de pessoas pobres e crianças pra trocar os podres dos ricos.

Dentista das antigas. Eles compravam dentes de pessoas pobres e crianças pra trocar os podres dos ricos.

Quarto infantil das antigas.

Quarto infantil das antigas.

No pátio da escola.

No pátio da escola.

Na escola. A professora com cara de malvada e tudo mais.

Na escola. A professora com cara de malvada e tudo mais.

Please follow and like us:

Comments

  1. Muito amor nesse post Vevas! Nas fotos, achei incrível como parece que essas cidades do interior pararam no tempo (de uma forma boa, é claro!). Continue escrevendo.

  2. Olhando para a vida de vocês eu vivo em prisão domiciliar, tenho direito de trabalhar durante o dia e a noite dormir em casa, vendo a vida passar sem aproveitar nada dela. Parabéns pela coragem de romper com a vida que o capitalismo preparou para as pessoas deste mundo. Deus continue abençoando a vida de vocês.

    1. Author

      Oi Enésio, obrigada pelo seu comentário. Apesar de estarmos satisfeitos com as escolhas que fizemos, pessoalmente eu não acredito que liberdade é poder viajar pelo mundo. Aproveitar a vida e perceber a preciosidade de estarmos vivos é, para mim, quase como um músculo que pode ser trabalhado onde quer que estejamos…

    1. Author

      Oi Clarissa, obrigada pelo seu comentário. Essa fazenda na França tem crianças morando lá? A gente tenta ir sempre em lugares com crianças pra Alice poder ter com quem brincar. Abraço!

  3. Verônica, Rodrigo e Alice … que figuras são vcs !!!

    Acabei de ver esse site Mara = (maravilha) de vcs e como já devem saber minha opinião a respeito do estilo de vida que adotaram, tem minha admiração em caráter especial.
    Meus amigos os lugares, as fotos, Alice, tudo está muito lindo. Parabéns pelo trabalho e continue nos agraciando com essas belíssimas paisagens e experiências.

    Abraço Fraterno

    André, Mariana, Samuel e Clarice !!!

    P.S: A propósito a Clarice qdo viu o Rodrigo na foto reconheceu na hora como: O tio daquela festa do Mário Bros !!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkk

  4. Iremos a Durham nos próximos dias e gostaríamos de dicas sobre como ir de lá até o museu Beamish. Transporte, preços etc. Muito obrigado! Ah, seu site é muito lindo e os relatos são adoráveis, parabéns!

  5. Acabamos de chegar de Beamish, e como não havia encontrado em nenhum lugar os detalhes de como chegar de trem de Newcastle, gostaria de ajudar, pois realmente é imperdível.
    Acho mais fácil sair de Edinburgh: pegue o trem para Newcastle ( 1:30 hs de viagem). Ao chegar na Central Station pegue o metrô (tem uma estação dentro da estação de trem e se compra o ticket na máquina) linha A até Gateshead (é a próxima parada). Na Gateshead Centre tem o terminal de ônibus (dá para achar assim que sair da escada rolante). Vá para o H e espere o ônibus roxo que passa a cada meia hora. Paga-se direto para o motorista £5,40 ida e volta. Após 9 estações o ônibus te deixa na porta do Beamish Museum. A viagem de ônibus demora 35 minutos. Tem locomoção com bonde e ônibus da época dentro do complexo, mas vá com tênis ou bota porque se anda bastante. É tudo muito bem montado, conservado e limpo. Passeio excelente de 1 dia no norte da Inglaterra, mesmo sendo inverno.

    1. Foi dos melhores passeios que a gente já fez! Obrigado pelas dicas. Nós saímos de Durham e de lá tem ônibus direto. Engraçado é que nesta região o Juninho Paulista é um grande ídolo pela sua atuação no Middlesbrough. Sempre que alguém descobria que eu era brasileiro vinha falar do Juninho…

Leave a Comment