Nossa rotina na fazenda.

Nossa rotina funcionava mais ou menos assim:

Nós acordavamos as 8am e tomavamos café. Normalmente mingau, pão e geléia caseiros, morangos, ovos cozidos, chá e leite. O que não era produzido na fazenda era comprado de uma cooperativa que produzia alimentos orgânicos localmente.

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Geléia feita com ajuda das crianças. O design do rótulo foi por conta da Alice.

De 9 as 10 eu e/ou o Rodrigo faziamos alguma atividade educativa com a Alice. Nós levavamos livros com o currículo Brasileiro e ela praticou caligrafia, leitura, matemática, etc. O Ipad também tinha vários joguinhos legais pra praticar matemática. Depois eu vou fazer um post só sobre os joguinhos educativos de Ipad que nos usamos.

As 10 horas começava nosso trabalho na fazenda. A Alice ia pra uma das casas fazer uma sessão de home-ed com as outras crianças guiadas pela Jo ou pela Beth. Eu também pude participar dessas sessões e dei uma aulinha sobre Brasil pras crianças.

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Sessão de home-ed sobre o Brasil, as crianças pintaram badeiras e eu contei algumas histórias do folclore e curiosidades sobre a nossa natureza.

Sessão de home-ed sobre o Brasil, as crianças pintaram bandeiras e eu contei algumas histórias do folclore e curiosidades sobre a nossa natureza.

Nosso trabalho variava com o que precisava ser feito no dia. Normalmente faziamos alguma coisa na horta, colhendo frutas ou vegetais, arrumando os canteiros, limpando as ervas daninhas, plantando alfaces, etc. Ou cuidavamos das galinhas, ou consertavamos alguma coisa que precisava de conserto, ou ainda ajudavamos na construção da casa do Matt e da Jo que não estava pronta ainda.

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Alimentando as galinhas

Por volta das 1pm nós almoçavamos juntos. Como bons ingleses, o almoço era geralmente sanduiches feitos com os pães caseiros, muita salada colhida fresca da horta, queijo, e chutney feito nos anos anteriores. O almoço durava de uma a duas horas. Dai o trabalho continuava até as 4pm.

O jantar era responsabilidade de cada família. Eu cozinhava e o Ro lavava a louça (que na verdade era bem mais chatinho que cozinhar já que a gente não tinha pia no Tunel). Tinha sempre estoque de macarrão, feijão, lentinha, polenta, arroz, que eu podia pegar na casa da Beth.

Eu cozinhando dentro do Tunel.

Uma vez por semana o jantar era compartilhado e ai era uma festa.

Jantar Brasileiro. Fiz pão de queijo, tutu de feijão e tapioca com recheio de morango e manteiga de coco. Sucesso total. Os gringos piraram na mandioca!

Jantar Brasileiro. Fiz pão de queijo, tutu de feijão e tapioca com recheio de morango e manteiga de coco. Sucesso total. Os gringos piraram na mandioca!

Jantar Brasileiro. Fiz pão de queijo, tutu de feijão e tapioca com recheio de morango e manteiga de coco. Sucesso total. Os gringos piraram na mandioca!

Jantar Brasileiro. Fiz pão de queijo, tutu de feijão e tapioca com recheio de morango e manteiga de coco. Sucesso total. Os gringos piraram na mandioca!

Quinta-feira era o dia mais intenso. Era o dia que eles entregavam as cestas de vegetais e frutas orgânicas para os clientes. Nós passávamos o dia inteiro colhendo os vegetais e depois montando as cestas.

Cestas prontas para serem entregues.

Cestas prontas para serem entregues.

Todo o trabalho na fazenda era feito a mão e quando eu digo a mão, era a mão mesmo. Eles usavam o mínimo de tecnologia, mesmo nas ferramentas usadas no jardim. Ainda que levasse mais tempo, eles preferiam que fosse assim pois acreditavam que isso agredia menos o meio-ambiente. Esse modo de produção me fez apreciar ainda mais o alimento que consumimos. É ligeiramente mais complicado que pegar um carrinho no supermercado e comprar tudo que precisamos num único lugar. Não que eu ache que tenha nada de errado com isso. Só acho que as vezes essa facilidade torna esse trabalho invisível.Depois do trabalho, como o clima estava muito quente (por pura sorte já que estavamos em um lugar que quase nunca faz calor) nós iamos pro rio tomar banho (sim, banho de rio, não havia água encanada, lembra?).

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De noite, depois do jantar, nós 3 jogavamos algum jogo ou assistiamos um filme no laptop.

Nós dormimos muito cedo quase todos os dias, por volta das 9 da noite. Foi fantástico recuperar o sono perdido de tantos anos! O Ro que costumava dizer que não sonhava, começou a sonhar todas as noites.

O trabalho na fazenda não terminava nunca, enquanto nós dormiamos super cedo as outras famílias ainda estava trabalhando. Eu me senti muito grata aquelas pessoas que fizeram a Abundant Earth. A missão deles era viver uma vida com o mínimo de impacto possível na terra e eles com certeza estavam no caminho certo.

Eu perguntei pra Beth e pra Jo qual era a melhor parte de morar na fazenda e qual era a pior parte. A resposta das duas foi muito parecida. A melhor parte era que as duas queria poder plantar o que consumiam, e a pior parte era que era uma vida muito dura. Principalmente nos meses frios quando o clima é extremamente hostil naquela parte do mundo.

Nos finais de semana nós não tinhamos que trabalhar e aproveitamos pra passear bastante pela área. O próximo post vai ser dedicado a isso. 🙂

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Comments

  1. Que lindo relato! Espero ver mais. Beijos e boa sorte nesta nova etapa.

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